nos anos de chumbo, para não ser morto, caiu na clandestinidade; atualmente, para sobreviver, pilota um ônibus clandestino.
minicontos, micro-contos, nanocontos, micro-narrativas, relatos curtos, contos breves, hiperbreves, microrelatos, cartuns, poemas etc.
08 janeiro, 2007
257. destino
nos anos de chumbo, para não ser morto, caiu na clandestinidade; atualmente, para sobreviver, pilota um ônibus clandestino.
255. retrospectiva 2006
odiava o natal - nada para ver na TV além das retrospectivas - foi dormir cedo. na cama, o ano inteiro passou como um filme diante dos seus olhos.
27 novembro, 2006
253. conversa
era conservador e não admitia de forma laguma aquele tipo de comportamento - então chamou a filha para uma conversa de homem para homem.
252. o rato de roma
adestrei-o, companheiros, para que devorasse os olhos de césar - queixou-se o conspirador. e o maldito roedor contentou-se em estraçalhar-lhe as finas roupas.
07 novembro, 2006
251. na hora do almoço
entrou no restaurante amarillo e anunciou em alto e bom tom: vim matar quem está me matando! um bordão mais do que batido. houve quem pensasse na fome, outros na vontade de comer; mas no geral quase ninguém levou-o muito a sério. até que ele sacou um trinta e oito e...
248. peão
dois minutos - queixou-se a parceira, olho azul no relógio - na arena do rodeio teu desempenho é melhor.
06 novembro, 2006
245. versão
a versão de que ele se havia envenenado com baygon não colou: encontraram-no com a boca cheia de formigas.
30 outubro, 2006
244. educação pela pedra
havia uma pedra no caminho e depois outra pedra e depois outra. pedras. caminho? caminho há um. sabe-o sem volta, contudo.
243. passional
na fúria descontrolada das carícias, o contador silas engoliu sem perceber o brinco de pérola da sua fogosa amante adelita. lamentável falha a de silas, diga-se de passagem: no dia seguinte, ao levar material para exame no laboratório de análise clínica, celino, o técnico coletor e coincidentemente noivo de adelita, descobriu tudo e tentou matá-lo.
242. promessa para parar de beber
a última gota do derradeiro drinque foi, para variar, para o santo.
241. vocação
por causa das aulas de anatomia, cedo desistiu da medicina - hoje toca os negócios que o pai, açougueiro, lhe deixou .
240. tentação
em vez da "marvada" o portugues do botequim serviu foi uma dose de biotônico. daí que deu no jeca uma disposição fora do comum, uma vontade incontrolável de trabalhar que, não fosse aquele um dia santo feriado, teria ele vergonhosamente cedido à tentação do coisa-ruim.
239. fim da linha
é o fim da linha, suspirou resignada a mãe e caiu morta sobre a máquina de costura - e o filho, inocente, estendeu a mãozinha condicionada na esperança do carretel que não viria.
20 outubro, 2006
238. promessas
o vicio mais forte que o medo, esperou um descuido das vestais e acendeu o cigarro ali mesmo, na pira em que ardia o fogo dos deuses. se o vissem, sabia, seria duramente castigado. prometeu pela centésima vez que ia parar de fumar.
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