07 agosto, 2012

Elle et Ella



Ela adorava trufas

Ele Truffaut

Ela amava o Rambo

Ele Rimbaud
...

Ela era doida alucinada por marmelada

Ele pirava de prazer só de ler

Um verso de Mallarmé.



E mesmo assim Eles se completavam

Nas noites profanas, nos fins de semana, todo santo-dia

Se locupletavam

De pão , biscoito, churros, broas, sonhos, croissants

E poesia.

Sísifo





Da alavanca de Arquimedes

Da roda, cuja patente é já de público domínio

Das roldanas e contrapesos de da Vinci

...
Ou do pêndulo de Focault...

Tu dependes.



E só tens os braços e as pernas e a vontade

Para que realizes

A tarefa que te cabe.

Conde Nado (conto de vampiros)


- Naquele tempo, rapaz, eu só acreditava.... no pulsar das minhas veias - queixou-se saudoso o vampiro.

- Também custiste o pessoal do Ceará, Conde Nado? Ednardo, Fagner, Belchior, Fausto Nilo...

No aço dos seus olhos, baço, vislumbrei um traço de tristeza, uma melancolia profunda.

- Terra do Sol. Estou fadado a não voltar mais lá. Sou agora uma criatura d...
a noite. Outras veias pulsantes me interessam.

- E a Transilvãnia?

- Aquela ingrata? Trocou-me por um lobismem das bandas do Cariri. Imagine que vivia me chamando de cachorro, a rapariga. E agora deu para gostar de uivo ao luar do Sertão. Vá entender as muleres, cabra. Vá entender!

Numa fria (poemeto)


Cara-de-pau, sim, admito, eu sempre fui
aí caí na besteira de dar em cima daquela lambisgóia
Medusa é o meu nome riu-se a convencida
E deixou-me assim: com cara-de-sequóia.

É isso aí, amizade...

- Pois é, agora sou escritor.
- É mesmo e... quanto já ganhaste?
- Uns trinta, quarenta...
- $$$$$????
- Não, amigos.
- ???
- Moeda forte, com lastro.

Prosa (minicrônica)

Prosa

Quando criança, no sertão de Crateús, eu costumava passar férias escolares na casa das minhas avós. De vez em quando elas largavam seus afazeres, trancávamos a casa a tramela ( para os animais domésticos não entrarem, e não os homens; pois naquele tempo podia-se até dormir de porta aberta.) e saíamos para fazer visitas. Os vizinhos, eram todos compadres, comadres.

Minhas avós amorteciam a...
minha impaciência infantil:

"É só uma prosa com a cumadre S. Coisa rápida. Toma o café e fica quieto!"

"Que cousa, minino? É o tempo de um dedin de prosa com o cumpadre F Coma uma broa e sossega!."

Prosa. Passei a prestar a atenção às conversas. E descobri que o aquela gente inculta ebela praticava, o proseio do dia-a-dia, a prosopopéia, pasmem, era Poesia pura.

Bananas (miniconto)

 - Chega aí. Olha só o que eu descolei.
- Caraca!! Isso é.... dinamite?
- Que tu acha? O vigia da pedreira lá na Cantareira que descolou. Chegado meu.
- E aí, quando a gente vai detornar uns caixas?
- Hoje mesmo, na hora do jogo. Com a foguetada toda ninguém vai nem notar.
- Porra, tu é crânio véio! Pensa em tudo.

Aquela noite não houve foguetório. O time local fracasso...
u. E os parceiros resolveram assim mesmo detonar o caixa. Só que as bananas de dinamite, úmidas, falharam.

- Só tu mesmo para arranjar essas porras vencidas.
- Eu pensei que...
- Tu é burro mesmo! Quando pensa, pensa errado!
Gaveta Sentimental (poemeto)

Do amor que tive, o que guardo?
Ora, não ria:
nada de flor seca em meio a um livro
Ou fotografias com dedicatória.
Cartas? Uma só: De alforria.
Lay Lady Lay

Emengarda - ela assim se chamava
E pomposa ainda assinava : Lady Loretta Emengarda
Por ela eu não sabia se casava
Ou comprava uma espingarda
Por via de dúvidas ou medo
Pus-me a flertar com o degredo
E comprei uma passagem (só de ida)
Pra Passárgada

681. haicai


veja a mariposa
que da noite é uma dama
não nasceu pra esposa

30 maio, 2012

EM BREVE
POESIA

Cem anos - 100 palavras


Acabo de receber pelo correio, de Portugal, a antologia de minicontos Cem anos - 100 palavras - Homenagem aos 100 anos da Universidade do Porto, da qual participo.

24 maio, 2012

680. funeral do político corrupto (miniconto)

Quando baixou o túmulo, mesmo sem o recurso milenar das artes egípicias, mumificou-se. Não o devoraram os vermes; pois, como se sabe, os pequenos asquerosos não são dados ao canibalismo.

Literatura futebol Clube

Literatura Futebol Clube - Antologia

Este livro é dedicado para estas pessoas, que ainda não descobriram que futebol não são apenas onze homens suados correndo atrás de uma bola. Porque futebol é, em sua essência, puro e simplesmente amor. Amor incondicional. Enorme, imenso, sublime e incalculável amor. ...  



Participo desta antologia da Editora Multifoco com o conto Paixão e Morte de Um Torcedor, uma homenagem ao time do coração do menino que eu fui e ainda busco resgatar: Ceará "Vovô" Sport Clube.                

07 maio, 2012

679. haicai

tetos e tetas
queixa-se o desconsolado anão
inalcansáveis metas.

678. haicai

da minha janela
vejo o reflexo da vidraça tua
Nossos olhos.

677. miniconto - Sequência

O coração. Não resistiu à terceira parada. E ele agora descansa. No campo santo da Quarta Parada,

676. haicai

poema concreto
do pedreiro analfabeto
emenda e soneto

675. haicai

Estação das águas
O morro intimida mais
Que o som do trovão

674. UFC

Quando o segurança da boate Rhoddes, todo arrogante, veio pra cima de mim tentando me intimidar, fiz cara feia, e apontei para a sigla impressa na minha camiseta: UFC.
Tava dado o recado. O cara me mediu do alto e riu com desprezo. Mas não quis tirar a prova. Para todos os efeitos aquela camiseta da Universidade Federal do Ceará tinha me sido verdadeiramente útil.