19 fevereiro, 2012

658. Quem Não Gosta de Samba (Miniconto)

Enquanto lá fora, no ensaio da escola, os tambores aqueciam, ele municiava o rifle. Tinha na cabeça uma idéia: talvez fizesse um estrago na própria cabeça. Talvez estourasse a cabeça de outrem. De qualquer forma iriam dizer que ele não era bom sujeito, que era ruim da cabeça...

04 fevereiro, 2012

Acordes Fantásticos

A série Acordes Fantásticos é uma homenagem da Editora Estronho aos clássicos do Heavy Metal. Os volumes são inspirados nos títulos de algumas das músicas que mais marcaram uma geração inteira de roqueiros. E para começar a série, foi escolhida Paranoid, do Black Sabbath.
Organizada por Felipe Santos e M. D Amado Prefácio de Duda FalcãoAutor Convidado: Chico Pascoal (este que vos escreve)
Enfim, uma honra, participar de mais uma antologia. Agora como convidado.

31 dezembro, 2011

Concurso "100 Anos - 100 palavras


Concurso "100 Anos - 100 palavras" já tem vencedores

Já são conhecidos os três primeiros classificados do concurso de literatura "Cem anos - 100 palavras", inserido nas comemorações dos 100 anos da Universidade do Porto. Autores agora distinguidos vão encabeçar uma publicação com os melhores 100 micro-contos a concurso. A lista dos 100 trabalhos / autores selecionados pode ser consultada abaixo.O lançamento do livro está agendado para 22 de março de 2012, Dia da Universidade do Porto. Aberto a toda a comunidade lusófona, o concurso "Cem anos - 100 palavras" consistiu num desafio à criatividade, ao sintetismo e à imaginação dos participantes: escrever um micro-conto de ficção com apenas 100 palavras. Tendo como pano de fundo as celebrações do Centenário, os trabalhos tinham que focar algum aspeto relacionado com a U.Porto.


VENCEDORES DO CONCURSO "100 ANOS - 100 PALAVRAS"
1º Rui Carlos Queirós de Sousa Basto - Algoritmo

2º Alberto Carlos de Jesus Pereira - Uma vaga no Destino

3º Manuel Francisco Ramos - Os ladrilhos amaldiçoados


Entre os classificados o meu miniconto "Queima de Fitas"


Pra fechar o ano!

04 novembro, 2011

657. um gesto (miniconto)

Não deu para segurar mais. Qual piloto suicida a velha paineira simplesmente desabou sobre o automóvel importado novinho.

“um gesto corajoso e desesperado”, comentaram entre si as flores cativas dos jarros das sacadas do prédio de apartamentos “Que se mostra inútil, já que Eles estão vencendo a guerra”

Concurso FC do B - Resultado

Informo a classificação de um conto meu nesta conceituada antologia de Ficção Científica em concurso promovido pela FC do B.






RESULTADO DO CONCURSO FC DO B - FICÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA
PANORAMA 2010-2011
VENCEDOR NA CATEGORIA ILUSTRAÇÃO
Carlos Reno ("Curumins")


VENCEDORES NA CATEGORIA CONTO
Alexandre Lobão ("Asas") Anderson Santos ("No Passado") Antonio Junior ("Obsoleto") Antonio Bórgia ("Dialética da Perfeição") Augusto Guimarães ("O Patriarca") B.B. Jenitez ("Demiurgo") Carlos Abreu ("Como Jogar Contra Adversários mais Fortes") Carlos Sautchuk ("A Intervenção")Chico Pascoal ("Tiangwá e os Pequenos Guerreiros de Yoomandu-Açu")Denis Winston Brum ("Imperfeito")Gustavo Coelho ("O Sexto Círculo")Gustavo Rimoli ("Apotine Gratinado")João Paulo Vaz ("A Inimaginável Materialização de Samira")Marcel Breton ("Memorial")Mozart Almeida ("Recomeço")Paulo Eduardo Mauá ("Acorda e Vem Ver o Luar")R.Lovato ("Nulla in Mundo Pax Sincera")Raul Habesch ("Resíduos Atômicos e as Falhas nos Microprocessadores Weltall")Ronaldo Brito Roque ("Controle Remoto")Rubem Cabral ("Nanovidas")

03 outubro, 2011

Recuerdos da Ibiapaba




Com a cabeça na minha Terrinha, rascunhei dois poemas que foram publicados na página da Academia de Letras de Crateús. Em um deles reafirmo a minha crença de que a prancha de surfe não foi inventada pelos Havaianos. Haja vista que em tempos ancestrais, no Poty que banha Crateús e Ibiapaba, homens pré-históricos de cabeça chata equilibravam-se hábeis em longas pranchas de Mulungu.


Inscrições rupestres nos paredões da Serra da Ibiapaba, cuja localização não sei precisar pois soube-o pela tradição oral, o atestam.

656. travessia

Todo dia pela manhã tomava a balsa para o continente, onde lecionava; e ao entardecer, de volta, para a ilha onde tinha residência. Invariavelmente, durante a curta travessia, costumava sair do carro e fumar um cigarro, relaxar ver o movimento paquidérmico dos navios a manobrar no cais. No dia em que decidiu que iria parar de fumar, também não saiu do carro nem se preocupou em ver a coreografia lenta dos navios sob a batuta dos práticos. Na névoa baça da manhã, sob os holofotes da cabine da balsa, percebeu, com estranheza, um sorriso de satisfação no rosto do piloto que conhecia apenas de vista mas que sabia se chamar Caron, ou Caronte.

23 setembro, 2011

655. star

Dedos apontavam-me nas ruas. Mas isso foi antes das verrugas nascerem. Minha mãe, coitada,morreu sem entender o seu caos interior, sem me ver crescer e se transformar em uma estrela.

654. fera

A solidão é fera - lamentou o velho domador - Depois que o circo fechou, todo dia me devora.

653. fim da linha

Depois de muitos anos voltaram a se sentar, um ao lado do outro. Foi no banco azul do metrô destinado aos passageiros idosos. Não se reconheceram. Ou apenas fingiram como fizeram a vida toda. O Alzheimer? Bem, poderia ser uma boa desculpa para quem dela se utilizasse primeiro. Mas o que importava era que tinham uma nova oportunidade. De ouro. Era pegar ou... O serviço de alto-falante, podou-lhe as intenções anunciando: " Fim da linha. Este trem será recolhido."

652. dia sem carro

Era o Dia Sem Carro. E ele mais que qualquer um estava convencido disso embora não tivesse lido os jornais ou assistindo à TV. Sentado no meio fio daquela travessa de pouco movimento contemplava desolado e impotente a vaga onde meia hora antes havia estacionado o carro cujas prestações ainda estava a pagar.Transportava para dentro de si aquele vazio intragável quando ateve-se a uma poça escura de óleo no meio da vaga. Adivinhou nela o formato de um pássaro negro (um corvo? um abutre?). Persignou-se. Definitivamente, aquele não era o seu dia de sorte.

651. lapsos

Aquela altura da vida, com o claro intuito de provocá-la, ele disse - em alto e bom-tom porque ela estava ficando surda.

- Verdes. Os olhos da minha amante são verdes, ouviu? Lindos. Duas esmeraldas.

Ela deteve-se no arremate do ponto de crochê, olhou-o de soslaio e sentiu pena. Não iria negar-lhe o prazer de humilhá-la que era o que o mantinha vivo. Sabia-o, desde os primórdios, daltônico. E agora tinha também, com cada vez mais frequência, aqueles lapsos de memória...

09 setembro, 2011

"Quando o Saci encontra os Mestres do Terror"





Saiu a lista dos selecionados pela Editora Estronho dos contistas que vão compor a antologia




"Quando o Saci encontra os Mestres do Terror".






Uma mistura Estronha e interessante. Junte-se Poe, Bierce, Lovecraft ao fantástico do nosso rico folclore e só pode dar boa coisa.




E para se juntarem aos convidados: Ana Cristina Rodrigues (Fragmento do Mss 135679 da Biblioteca Nacional do Brasil), Felipe Santos (Devoradora) e Flávio de Souza (Noite sem lua) foram selecionados os autores Chico Pascoal (Mr. Bierce e o Duende dos Pampas), Cristiano Rosa (A estrela das águas), Cindy Dalfovo (Iara, meu amor), Dana Guedes (um causo dos que não se contam na floresta de concreto), Eriwelton Alves Soares (Olhos tristes no cinza do asfalto), Florestano Boaventura (Tempat Bagi Orang Yg Terlantar), Lemos Milani (Os pesares da noite), Lucas Lourenço (Pacto hereditário), Natália Couto Azevedo (Lírios, na beira da cachoeira), Nikelen Witter (Embornal dos olhos), Rogério Silvério de Farias (O horror em chamas), Verônica Freitas (O homem sem mãos) e Walter Tierno (Cobrança da pisadeira). Além de nossa organizadora Tânia Souza (Nem todo verão pertence ao sol).



Fica o recado!



Chico P.

31 agosto, 2011

650. O perfil de Edgar

Edgar está morto. Sua vida foi medíocre, desinteressante, e quase ninguém sentiu sua falta. Mas o seu perfil está lá, ativo, nas redes sociais, a receber convites para eventos que nunca irá comparecer.


P.S. Edgar sempre foi um sujeito antissocial.

647. achados & perdidos (miniconto)

O guarda-chuva que tu me destes, perdi-o. Longe de me lamentar, considerei que poderia assim disfarçar as lágrimas de perder.

01 agosto, 2011

646. o rejeitado (miniconto)

As pesquisas eleitorais davam como certo que a sua rejeição atingia pela primeira vez o nível mais alto. Protestou. Acusou os institutos de manipulação dos dados. Pois sabia-se amado, reverenciado pelo povo, endeusado pelas massas. À noite, retornando ao aconchego do lar, seu filho, concentrado no videogame, sequer deu pela sua presença. Na cama, sua mulher alegou uma súbita dor de cabeça, virou de lado e dormiu. Há alguém nesta casa que ainda se importa comigo?, perguntou-se. O cão! Lembrou. Sim, o fiel amigo canino de todas as horas, o que não se vendia, não fazia acordos escusos, nem seguia tendências. Onde estava este bendito ser que desinteressado sempre o esperava à porta, contente, a lhe fazer festas? Teria aproveitado que a porta estava aberta e escapado para a rua? (era, como ele próprio, um amante e defensor fervoroso da liberdade). Estaria enfermo? Alguém o teria raptado?

Como resposta aos seus questionamentos ouviu um ganido aflito e correu até quintal. Ali constatou por que o pobre cãozinho não pudera ir ao seu encontro: o animal tinha o rabo preso.

645. um sinal (miniconto)

Na tarde chuvosa em que pediria sua noiva em casamento, um arco-íris cruzou seu caminho e fez com que mudasse de ideia. Místico, considerou como sendo um “sinal” para que assumisse o que realmente era.

644. haicai n.99

vento vespertino
vaga pela rua - cão vadio?
um saco plástico

643. haicai n.98

equilibro seixos
um sobre o outro
faço um pedido

642. haicai n.97

Terreno baldio
Perseguindo lagartixas
Um cachorro vadio