- O velho gosta de doces, eh?
minicontos, micro-contos, nanocontos, micro-narrativas, relatos curtos, contos breves, hiperbreves, microrelatos, cartuns, poemas etc.
27 dezembro, 2012
Halloween (miniconto)
- Na verdade são para o meu avô – disse o garoto
fantasiado de Chuck, o boneco assassino.
- Adora. Mas Vovó o proíbe de comprá-los. É diabético.
Tons de Cinza (miniconto)
Haviam
se conhecido nas sessões semanais dos D.A (Daltonicos Anônimos). Apaixonaram-se
perdidamente e quando, como era natural que acontecesse, fizeram amor, ao
atingirem o êxtase supremo do orgasmo, o universo que os congregava explodira
qual fogos de artificio em milhões e milhões de cores incandescentes.
Quando
anos depois, como também era natural que um dia acontecesse, aquele amor
se desgastou, e eles faziam amor automática e esporadicamente, e apenas por
convenção e obrigação, o gozo vinha ralo, opaco, desbotado. Era uma questão de tempo
para que tudo voltasse ao processo cromático inicial, aos antigos tons de cinza
que tingiam a sua realidade.
27 novembro, 2012
Segunda Chance (conto)
Todo
dia o paraplégico Agostinho ia à beira de um enorme precipício com a firme determinação
de que dali se atiraria para acabar com a sua vida – algo que não pedira, fardo
que tanto o incomodava - mas nunca
encontrava a coragem necessária ao cumprimento do que se propunha. E
limitava-se a chamar a plenos pulmões a si próprio de covarde e ouvir o
irritante eco, lá embaixo, nos socavões.
“Covarde!
Arde! Arde! Arde! Arde! Arde! Arde!”
Um
dia – havia chovido muito na noite anterior – ele aproximava-se da borda do
penhasco para mais uma tentativa de suicídio quando
escorregou e despencou pela encosta acidentada entre pedras e espinhos.
Foi
uma queda e tanto. Ossos fraturados, traumatismos, hematomas... e ele ainda vivo, que vaso ruim, como dizem,
não quebra. Apesar de tudo isso não conseguiu o que queria.
Conto da Purificação
Poema da purificação
Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
Carlos Drummond de Andrade
O primeiro corpo,
encontraram-no uma bela manhã de sol forte enganchado num galho da velha
ingazeira que, qual um braço esguio parcialmente submerso, movia-se em nervoso
ritmo tocado pela corrente. Misericórdia vegetal para com o cadáver. O braço da
ingazeira piedosamente o recolhera.
Convocassem o vigário.
O que o biltre viu em
seguida, a ninguém foi dado ver. E tudo aconteceu por mais seis vezes. Para
cada inocência perdida nas mãos de frei Antonio
o rio trazia um novo anjo morto.
Intimamente o culpado quis se
enforcar na corda do sino. Quis atirar-se da torre da Igreja. Quis misturar
veneno ao sangue de Cristo. Não achou coragem.
Um dia, simplesmente,
desapareceu. Um buraco escuro tragara a casa paroquial levando-o junto. Um buraco como uma boca
abissal faminta e escancarada que ninguém conseguiu vedar.
Mais um título para Éder Jofre - Antologia
Participo com um conto intitulado "A Aposta" desta antologia em homenagem ao nosso maior Campeão de Boxe: Éder Jofre.
E aí, vai encarar??

12 novembro, 2012
Bodas em Guan Dong (conto)
A
união matrimonial de Dao Lei e Chiang Han foi acordada com tradicional
cerimônia budista e farta ceia promovidas pela viúva Ping, mãe do rapaz, juntamente com
o senhor e a senhora Han, os pais da moça. Conquanto não se conhecessem pessoalmente, não se amassem e pertencessem
a uma geração mais liberal que dos seus pais, não houve qualquer resistência ou
oposição da parte dos jovens - nem poderia ser diferente, já que ambos haviam
morrido em circunstâncias, lugares e datas distintas, cerca de dois anos antes.
Povoado (poema)
O Suicida (conto policial)
Quando do
passamento do interno Audálio Olvedo, a causa mortis, segundo o médico
do próprio Sanatório F. Nietzsche, deveu-se a uma otite aguda causada por
severa ação bacteriana. Ninguém ousaria contestar o laudo oficial daquele
profissional respeitável, mas Honório Bustos Domecq, companheiro de quarto
e adversário preferido do morto em memoráveis partidas de xadrez,
sustentava a versão de suicídio.
- Para que se resolva este caso,
senhor – opinou Domecq dirigindo-se ao diretor da instituição de
recuperação de esquizofrênicos - precisamos antes descobrir quem fez
facilitou a entrada de uma pistola nesta casa.
- Uma pistola. O que o senhor
quer dizer?
- Quero dizer que a vítima,
por alguma razão, foi induzid a disparar contra o próprio ouvido.
O Diretor não se alterou.
Para ele não era novidade que o paciente Jorge Luis Borba assumisse
a personalidade de detetives imaginários, de personagens consagrados pela
ficção policial. Um dia era Marlowe, outro podia ser Maigret. Às vezes acordava
Sherlock Holmes e dormia Inspetor Espinosa. Era a sua mania. Por causa
dela era que vinha sendo, sistematicamente , ao longo dos anos, sempre que as
crises se acentuavam, recolhido àquele manicômio. O momento, a ocorrência do
óbito em si, também colaboravam.
Experiente o Diretor sabia dos
riscos de contrariar os delírios de um interno e, sendo ele próprio um
aficionado aos romances de detetive, achou melhor fazer o jogo.
- Ok, Domecq. Ordenarei uma busca.
Quando localizarmos a arma a encaminharemos à pericia técnica. Quem sabe
descobrindo em nome de quem está registrada possamos chegar ao mentor do crime.
- Adianto porém que já localizei
a arma, senhor.
- Já? Quanta presteza, rapaz! E a
trouxe consigo?
17 outubro, 2012
haicais de setembro
As teias da aranha
Contra o sol do meio dia
Cintilam fatais
Pescador se ilude
E se encanta com o canto
Da Sereia do açude
Mandei um bilhete
Você não leu ou rasgou-o
Segue um ramalhete
Para não dar um fora
Lapidarei minhas palavras
Polirei metáforas
O luar na serra
Faz-me lembrar com saudade
Lá da minha terra
No fundo do poço
Por causa de um amor ingrato
O pobre moço
Ladeira da Memória (miniconto)
Sentado junto ao velho
chafariz, a vovó não lembra bem ao certo o que veio fazer ali.
peometo
"Circulando, bastardos! Circulando!"
A guarda pretoriana rugia
Onde e quando se juntam mais de dois
Só pode dar em orgia
Manias (nanoconto)
Maníaco por limpeza, fã inconfessável do Dr. Bactéria,
Pilatos lavava as mãos até dez vezes ao dia.
Tremores (miniconto)
A terrina de missoshiro à sua frente esfriava. Nos
brotos de soja e nos cubos de tofu a velha Obasan* leu a sua sorte: tomasse cuidado quando começassem os tremores. Fatalmente o levariam`ao óbito.
Por precaução evitou embarcar para ao Japão dos seus ancestrais. Desempregado deu
para beber mais do que o normal. Antes de morrer, se não entornasse uma branquinha, não firmava o
pulso.
11 setembro, 2012
Trem para Catende (poemeto)
Naquele velho trem para Catende
Ela me disse: " I wanna Hold your hand"
E eu lhe disse I don’t understand
E o papo morreu por aí.
É, poderia ter sido um bela história de amor
PRÊMIO HENRY EVARISTO DE LITERATURA FANTÁSTICA
PRÊMIO HENRY EVARISTO DE LITERATURA FANTÁSTICA

RESULTADO DO PRÊMIO HENRY EVARISTO DE LITERATURA FANTÁSTICA
Queremos agradecer a participação dos 92 contistas que enviaram os seus textos para este evento literário. Entraremos em contato, via email, com os vencedores sobre a entrega dos livros (premiação). O ebook digital, com todos os 10 contos classificados abaixo, logo será publicado aqui no site também para que todos possam apreciar. A estimativa para a publicação do ebook (pdf/epub/mobi) é de 10 a 20 dias. Parabéns aos vencedores!
1º - Profanadores - Chico Pascoal
2º - Anátema - Rafael Peres
3º - O Passado volta - Verônica S. Freitas
4º - O Caminho de volta – André Soares Silva
5º - Almas Mortas - Sofia Geboorte
6º - Entre amigas - Eni Allgayer
7º - O Diabo mora nesta casa - Jorge E. Machado
8º - Manequim - Reginaldo Costa de Albuquerque
9º - Lágrimas de criança - Pedro Viana
10º - Caminhos Perigosos - Hélio Sena
27 agosto, 2012
Poema dos 80's
depois de trucidar os girassóis
sucessivas gerações com chaminés e aerosóis
alvejaram a camada azul de ozônio.
agora, no ar rarefeito das manhãs
um efeito estufa o peito e ameaça - acabo com tua raça
humana.
é possivel
que nas tintas do futuro imprevisivel
extintas aves e árvores
argonautas interestelares exclamem perplexos:
"incrivel, sempre pensamos que a terra fosse azul!"
sucessivas gerações com chaminés e aerosóis
alvejaram a camada azul de ozônio.
agora, no ar rarefeito das manhãs
um efeito estufa o peito e ameaça - acabo com tua raça
humana.
é possivel
que nas tintas do futuro imprevisivel
extintas aves e árvores
argonautas interestelares exclamem perplexos:
"incrivel, sempre pensamos que a terra fosse azul!"
Alergia (miniconto)
Nunca deixava de vir visitá-lo. Falava com ele, coitadinha. Contava as novidades. Trazia flores. Sempre. E jurava por Deus que o ouvia espirrar pois ainda era alérgico, mesmo já estando do outro lado.
Dia dos Mortos - Miniconto
"Tá certo que quem está vivo sempre aparece", queixou-se o velho fantasma, sentado em sua própria lápide. "Mas precisava virem todos de uma vez?"
Xô!! (miniconto)
Durante o jantar traí-me e comecei discretamente a comer utilizando a mão esquerda; Minha mão, religiosa e intolerante, logo percebeu e, gritando histérica “Xô, coisa-ruim!”, me bateu no braço despedaçando aquela que não era senão a minha imagem invertida recém-escapada do antigo espelho da camarinha da minha avó.
photographia (miniconto)
A juventude, se não me falha a memória, tinha outras cores – disse a avó mirando sua própria foto, aos quinze, em sépia.
08 agosto, 2012
silicon valley (miniconto)
Aqueles engenheiros com quem vivia saindo, uns Nerds. Racionais. Práticos demais. Poesia nenhuma. Em matéria de cama, então, nada criativos. Era deixar cair o sutiã para ouvi-los dizer as mesmas bobagens. Decoreba. Que nem Tabela Periódica.
haicai erudito
“Hoc putas?*”,gasto o meu latim
Língua que se faz de morta – ela retruca
Pra falar mal de mim.
Língua que se faz de morta – ela retruca
Pra falar mal de mim.
*. “que pensas disto?”
07 agosto, 2012
Corpse - miniconto
Não foi à Exposição Corpos, no Ibirapuera. Amava aquele tipo de arte mas odiava fila. Além do mais era um dia chuvoso, o que convidava a ficar em casa, lendo um bom livro, degustando um vinho de boa cepa, curtindo sua coleção particular.
Funeral do Político Corrupto (miniconto)
Quando baixou o túmulo, mesmo sem o recurso milenar das artes egípicias, mumificou-se. Não o devoraram os vermes; pois, como se sabe, os pequenos asquerosos não são dados ao canibalismo.
Elle et Ella
Ela adorava trufas
Ele Truffaut
Ela amava o Rambo
Ele Rimbaud
...
Ela era doida alucinada por marmelada
Ele pirava de prazer só de ler
Um verso de Mallarmé.
E mesmo assim Eles se completavam
Nas noites profanas, nos fins de semana, todo santo-dia
Se locupletavam
De pão , biscoito, churros, broas, sonhos, croissants
E poesia.
Sísifo
Da alavanca de Arquimedes
Da roda, cuja patente é já de público domínio
Das roldanas e contrapesos de da Vinci
...
Ou do pêndulo de Focault...
Tu dependes.
E só tens os braços e as pernas e a vontade
Para que realizes
A tarefa que te cabe.
Tu dependes.
E só tens os braços e as pernas e a vontade
Para que realizes
A tarefa que te cabe.
Conde Nado (conto de vampiros)
- Naquele tempo, rapaz, eu só acreditava.... no pulsar das minhas veias - queixou-se saudoso o vampiro.
- Também custiste o pessoal do Ceará, Conde Nado? Ednardo, Fagner, Belchior, Fausto Nilo...
No aço dos seus olhos, baço, vislumbrei um traço de tristeza, uma melancolia profunda.
- Terra do Sol. Estou fadado a não voltar mais lá. Sou agora uma criatura d...
a noite. Outras veias pulsantes me interessam.
- E a Transilvãnia?
- Aquela ingrata? Trocou-me por um lobismem das bandas do Cariri. Imagine que vivia me chamando de cachorro, a rapariga. E agora deu para gostar de uivo ao luar do Sertão. Vá entender as muleres, cabra. Vá entender!
- E a Transilvãnia?
- Aquela ingrata? Trocou-me por um lobismem das bandas do Cariri. Imagine que vivia me chamando de cachorro, a rapariga. E agora deu para gostar de uivo ao luar do Sertão. Vá entender as muleres, cabra. Vá entender!
Numa fria (poemeto)
Cara-de-pau, sim, admito, eu sempre fui
aí caí na besteira de dar em cima daquela lambisgóia
Medusa é o meu nome riu-se a convencida
E deixou-me assim: com cara-de-sequóia.
É isso aí, amizade...
- Pois é, agora sou escritor.
- É mesmo e... quanto já ganhaste?
- Uns trinta, quarenta...
- $$$$$????
- Não, amigos.
- ???
- Moeda forte, com lastro.
- É mesmo e... quanto já ganhaste?
- Uns trinta, quarenta...
- $$$$$????
- Não, amigos.
- ???
- Moeda forte, com lastro.
Prosa (minicrônica)
Prosa
Quando criança, no sertão de Crateús, eu costumava passar férias escolares na casa das minhas avós. De vez em quando elas largavam seus afazeres, trancávamos a casa a tramela ( para os animais domésticos não entrarem, e não os homens; pois naquele tempo podia-se até dormir de porta aberta.) e saíamos para fazer visitas. Os vizinhos, eram todos compadres, comadres.
Minhas avós amorteciam a...
Quando criança, no sertão de Crateús, eu costumava passar férias escolares na casa das minhas avós. De vez em quando elas largavam seus afazeres, trancávamos a casa a tramela ( para os animais domésticos não entrarem, e não os homens; pois naquele tempo podia-se até dormir de porta aberta.) e saíamos para fazer visitas. Os vizinhos, eram todos compadres, comadres.
Minhas avós amorteciam a...
minha impaciência infantil:
"É só uma prosa com a cumadre S. Coisa rápida. Toma o café e fica quieto!"
"Que cousa, minino? É o tempo de um dedin de prosa com o cumpadre F Coma uma broa e sossega!."
Prosa. Passei a prestar a atenção às conversas. E descobri que o aquela gente inculta ebela praticava, o proseio do dia-a-dia, a prosopopéia, pasmem, era Poesia pura.
"É só uma prosa com a cumadre S. Coisa rápida. Toma o café e fica quieto!"
"Que cousa, minino? É o tempo de um dedin de prosa com o cumpadre F Coma uma broa e sossega!."
Prosa. Passei a prestar a atenção às conversas. E descobri que o aquela gente inculta ebela praticava, o proseio do dia-a-dia, a prosopopéia, pasmem, era Poesia pura.
Bananas (miniconto)
- Chega aí. Olha só o que eu descolei.
- Caraca!! Isso é.... dinamite?
- Que tu acha? O vigia da pedreira lá na Cantareira que descolou. Chegado meu.
- E aí, quando a gente vai detornar uns caixas?
- Hoje mesmo, na hora do jogo. Com a foguetada toda ninguém vai nem notar.
- Porra, tu é crânio véio! Pensa em tudo.
Aquela noite não houve foguetório. O time local fracasso...
- Caraca!! Isso é.... dinamite?
- Que tu acha? O vigia da pedreira lá na Cantareira que descolou. Chegado meu.
- E aí, quando a gente vai detornar uns caixas?
- Hoje mesmo, na hora do jogo. Com a foguetada toda ninguém vai nem notar.
- Porra, tu é crânio véio! Pensa em tudo.
Aquela noite não houve foguetório. O time local fracasso...
u. E os parceiros resolveram assim mesmo detonar o caixa. Só que as bananas de dinamite, úmidas, falharam.
- Só tu mesmo para arranjar essas porras vencidas.
- Eu pensei que...
- Tu é burro mesmo! Quando pensa, pensa errado!
- Só tu mesmo para arranjar essas porras vencidas.
- Eu pensei que...
- Tu é burro mesmo! Quando pensa, pensa errado!
30 maio, 2012
Cem anos - 100 palavras
Acabo de receber pelo correio, de Portugal, a antologia de minicontos Cem anos - 100 palavras - Homenagem aos 100 anos da Universidade do Porto, da qual participo.
24 maio, 2012
680. funeral do político corrupto (miniconto)
Quando baixou o túmulo, mesmo sem o recurso milenar das artes egípicias, mumificou-se. Não o devoraram os vermes; pois, como se sabe, os pequenos asquerosos não são dados ao canibalismo.
Literatura futebol Clube
Literatura Futebol Clube - Antologia
Este livro é dedicado para estas pessoas, que ainda não descobriram que futebol não são apenas onze homens suados correndo atrás de uma bola. Porque futebol é, em sua essência, puro e simplesmente amor. Amor incondicional. Enorme, imenso, sublime e incalculável amor. ...
Participo desta antologia da Editora Multifoco com o conto Paixão e Morte de Um Torcedor, uma homenagem ao time do coração do menino que eu fui e ainda busco resgatar: Ceará "Vovô" Sport Clube.
Este livro é dedicado para estas pessoas, que ainda não descobriram que futebol não são apenas onze homens suados correndo atrás de uma bola. Porque futebol é, em sua essência, puro e simplesmente amor. Amor incondicional. Enorme, imenso, sublime e incalculável amor. ...
Participo desta antologia da Editora Multifoco com o conto Paixão e Morte de Um Torcedor, uma homenagem ao time do coração do menino que eu fui e ainda busco resgatar: Ceará "Vovô" Sport Clube.
07 maio, 2012
677. miniconto - Sequência
O coração. Não resistiu à terceira parada. E ele agora descansa. No campo santo da Quarta Parada,
674. UFC
Quando o segurança da boate Rhoddes, todo arrogante, veio
pra cima de mim tentando me intimidar, fiz cara feia, e apontei para a sigla
impressa na minha camiseta: UFC.
Tava
dado o recado. O cara me mediu do alto e riu com desprezo. Mas não quis tirar a
prova. Para todos os efeitos aquela camiseta da Universidade Federal do Ceará
tinha me sido verdadeiramente útil.
19 abril, 2012
673. Zoon Politikon (Animal Político)
Aprendi nos antigos seriados policiais da TV: ninguém é obrigado a falar senão em juízo. Mas por falta de juízo, escrúpulo ou vergonha, e também movido por um tolo lapso de vaidade, ascendi ao parlatório.
“Não tenho palavras…”, comecei dizendo. E mentia. Haja vista que, além da habilidade de falar inverdades, tenho o dom da oratória. Se apenas me ativesse à máxima que afirma que quem cala consente, não teria sequer aberto a boca. E me salvaria o não dizer. Mantendo-a fechada, também evitaria as incômodas e abundantes moscas não menos oportunistas que eu.
“Não tenho palavras…”, comecei dizendo. E mentia. Haja vista que, além da habilidade de falar inverdades, tenho o dom da oratória. Se apenas me ativesse à máxima que afirma que quem cala consente, não teria sequer aberto a boca. E me salvaria o não dizer. Mantendo-a fechada, também evitaria as incômodas e abundantes moscas não menos oportunistas que eu.
“Parla!”, esbofeteei-me o verniz da face.
23 março, 2012
672. haicai para minha avó rendeira, Dona Anja (Ângela)
nuvens de algodão
pelas mãos de minha avó
viram labirintos
pelas mãos de minha avó
viram labirintos
671. Ignis Mutat Res
IGNIS MUTAT RES*
Chico Pascoal (Letra&Música)
Risque o fósforo/Acenda
o fogo
Faça figa, reze/ Rasta
que se preze
Com todos os reveses
Sobe o rio Zambeze
O Reggae vai pegar.
Fagulha na palha/chama
que se espalha
Acabou o
sossego/renegue o arrego
Chá de descarrego
Daqui a pouco eu chego
O Reggae vai regar.
Sob as bênçãos de Jah/
Sol é pra purificar
Fogueira que arde e não
queima/ Na forja, no forno.
Lava ou cera
quente/magma/ferro incandescente
Luz fosforescente/meio
de repente/ ilumina em torno.
Purgatório /labareda/coisa
acesa/estopim/ salamandra/ponto de fusão
Krakatoa/Coivara/Espírito
Santo/Babilônia/boca de dragão.
*.Fogo
que tudo transforma.
670. Para Dalton Trevisan (miniconto)
Elétrico, esfrega as mãos, fuma, cofia o bigodinho de arroz-doce. É olheiro dos bons. Prospecta. Nos bailes de debutantes do Clube Social provê a Casa de Irene.
659. Na estrada (miniconto)
"O senhor é meu pastor, nada me faltará” Lia-se no pára-choque do caminhão. Dentro da cabine
o velho e a menor. Faltava vergonha.
o velho e a menor. Faltava vergonha.
19 fevereiro, 2012
658. Quem Não Gosta de Samba (Miniconto)
Enquanto lá fora, no ensaio da escola, os tambores aqueciam, ele municiava o rifle. Tinha na cabeça uma idéia: talvez fizesse um estrago na própria cabeça. Talvez estourasse a cabeça de outrem. De qualquer forma iriam dizer que ele não era bom sujeito, que era ruim da cabeça...
04 fevereiro, 2012
Acordes Fantásticos
A série Acordes Fantásticos é uma homenagem da Editora Estronho aos clássicos do Heavy Metal. Os volumes são inspirados nos títulos de algumas das músicas que mais marcaram uma geração inteira de roqueiros. E para começar a série, foi escolhida Paranoid, do Black Sabbath.
Organizada por Felipe Santos e M. D Amado Prefácio de Duda FalcãoAutor Convidado: Chico Pascoal (este que vos escreve)
Enfim, uma honra, participar de mais uma antologia. Agora como convidado.
Assinar:
Postagens (Atom)